As ocorrências de peste suína africana (PSA) detectadas na Espanha em novembro de 2025 resultaram em restrições às exportações e em uma maior oferta de carne suína no mercado da União Europeia. Esse novo cenário deverá pressionar a produção e as exportações de carne suína durante o segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027.
Como a demanda por leitões pelo setor espanhol caiu acentuadamente, os preços dos leitões recuaram de forma significativa em 2026. Em consequência desses preços mais baixos, projeta-se que o setor de reprodução da União Europeia inicie 2027 com um plantel de matrizes menor e produza menos leitões desmamados ao longo do ano. Em termos absolutos, as maiores reduções no número de leitões produzidos são previstas para a Alemanha, os Países Baixos, a Dinamarca e a Hungria. Já as maiores quedas nos abates são esperadas na Espanha e na Alemanha. Com a menor oferta de animais, os abates na UE devem cair 0,52%, para 229,3 milhões de cabeças, enquanto o rebanho suíno deve recuar 0,62%, para 129 milhões de animais.

Em 2027, a produção de carne suína da União Europeia deverá cair pela primeira vez desde 2023. São esperadas reduções importantes na Espanha, França, Alemanha, Países Baixos e Hungria. Não se prevê aumento significativo da produção em nenhum dos demais Estados-membros da UE.
Apesar da projeção de queda na produção de carne suína, o consumo na UE deverá permanecer firme, favorecido pelo preço competitivo da carne suína em comparação com a carne bovina e o peito de frango. Essa demanda interna estável sustenta a mudança estratégica do setor europeu de carnes em direção à priorização do mercado interno da União Europeia.
Atualmente, os exportadores utilizam principalmente os canais internacionais para cortes específicos, que alcançam preços mais elevados nos mercados externos do que dentro da UE. Essa mudança estratégica teve início após a forte redução das importações chinesas de carne suína em 2022, que evidenciou a dependência do setor europeu de um único mercado.
As importações chinesas de carne suína vêm diminuindo há vários anos consecutivos e podem atingir, em 2026, o menor nível desde 2016. Para 2027, a expectativa é de que as importações chinesas permaneçam estáveis, uma vez que a redução da produção doméstica deverá compensar o enfraquecimento da demanda.
Mesmo que a demanda chinesa por importações volte a crescer, é pouco provável que o setor de carne suína da UE se beneficie plenamente, devido ao foco cada vez maior no mercado interno europeu. Além disso, o setor enfrenta forte concorrência do Brasil e dos Estados Unidos no mercado chinês, situação agravada pelas tarifas chinesas aplicadas à carne suína da Espanha, dos Países Baixos e da Alemanha.
Em 5 de setembro de 2025, o Ministério chinês estabeleceu tarifas antidumping entre 15,6% e 62,4%, com entrada em vigor a partir de 10 de setembro.
Ao mesmo tempo, os exportadores da UE não conseguiram ampliar de forma significativa os embarques de carne suína para mercados alternativos fora do bloco ao longo da última década. Embora a Espanha tenha sido, durante muito tempo, o principal produtor da UE a expandir ativamente sua presença internacional, a detecção da PSA limitou as expectativas iniciais de produção e exportação.
Paralelamente, os setores da Dinamarca, dos Países Baixos e da Bélgica enfrentam profundas reformas impostas por seus respectivos governos. Em 2027, as exportações de carne suína da UE deverão cair em 100 mil toneladas equivalentes-carcaça, atingindo o menor nível desde 2015.
16 de setembro de 2026/ USDA/ Estados Unidos.
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